sábado, 21 de maio de 2011

O Mestre Moriyama Roshi










Em fevereiro de 2011, no melhor estilo dos antigos mestres zen, Moriyama Roshi partiu do templo no Japão, e não deu mais noticias, assim fez Bodhidarma, antes dele. Em março de 2011, aconteceu o terremoto no Japão, e hoje, após três meses, não esperamos mais noticias dele.

Hoje, 21 de maio, praticamos zazen, a prática que Moriyama Roshi ensinou, e oferecemos os méritos a ele.



Por Bete Zuiso

(Este texto foi escrito em janeiro de 2010, na última visita que Moriyama Roshi fez ao Brasil.)

Semana passada, fui ver o mestre. Ver o mestre sempre dá uma coisa no coração.

Ele está ficando velhinho. Mesmo sendo japonês, que nunca mostra a idade que realmente têm. Suas sobrancelhas estão ficando brancas. Seu corpo mais frágil e magro. Mas o mestre continua sempre forte. É só o corpo que está envelhecendo, pois a mente não tem idade.

O mestre continua praticando, continua vivo mesmo. Recebendo todo mundo muito bem. Com essa proximidade e essa intimidade que só ele sabe manifestar.

Não é como todos nós, que manifestamos uma intimidade que gruda, que se apodera. O mestre é livre. Transita, toca e é tocado, ama e é amado, mas nunca possui e nem é possuído. O mestre não tem apegos.

Quando fui cumprimentá-lo, o mestre me surpreendeu. Fiz gassho(cumprimento budista), em seguida estendi a mão e ele disse: “brazilian style” e me puxou suavemente para um abraço, desses que a energia pousa e se sustenta. Fazia 5 anos que eu não via o mestre.

Fizemos meditação juntos. Muitas pessoas na sala. E eu ali, sentindo e ouvindo. Os sons, os pássaros, meus pensamentos, e o mestre, sempre ali. Presente. O mestre é suave e constante. Ele se move com a energia do universo e todo o universo se move com ele. Suavemente.

O mestre sempre me emociona. Conta histórias simples e engraçadas. Enquanto nós temos uma tendência à pomposidade, um apego à forma, somos solenes, o mestre é simples de doer. Humildade que impressiona. Porque ele não está fazendo nada especial, só está sendo ele mesmo.

Agora mesmo, escrevendo isso, meus olhos ficam marejados de lágrimas. O mestre sempre me dá isso.

Pergunta como estou. O que estou fazendo. Me conta que tem dor na lombar. Eu lhe faço uma pequena doação. Que ele recebe como se fosse o título de imperador.

O mestre é engraçado. Ele me toca profundamente. Sempre fez isso. Difícil definir o mestre. Ele é como esse passarinho, cantando ai fora a tarde inteira, que de repente voou muito rápido aqui pra dentro, fez um monte de cocô por todo lado, e saiu pra nunca mais.

O mestre é assim, hoje está, amanhã não estará mais. Livre. Simples assim.

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