segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Reflexões de 3º kyu Lia Claudia Matte


Reflexões de 3º kyu
Lia Cláudia Matte

Primeiro treino:

Eu tenho duas lembranças da minha primeira aula. A primeira é a dor nas pernas, depois que esfriei a musculatura fiquei dois dias endurecida. Coisa que eu só senti depois de caminhar 30 km em um único dia. A segunda foi o sentimento de que eu tinha encontrado algo que me identifiquei muito. Apensar de não saber nada de Aikido, naquele dia eu já tinha a certeza que ficaria por ali um bom tempo.



Decepções:

Eu não me sinto decepcionada então é difícil falar sobre isso. Em geral eu não espero muito das pessoas e nem das coisas, o que faz com que eu não me decepcione facilmente. Estou tentando melhorar isso, mas por enquanto é assim que eu sou. Mas, eu imagino que o caminho para seguir adiante mesmo decepcionado é manter o Aikido como um caminho independente das pessoas e do ambiente que se está cercado.

Se o Aikido for importante por si só, então, ele vai se manter apesar dos pesares. As pessoas e o ambiente podem melhorar a relação que se tem com o Aikido, mas não pode ser a essência.

Persistência nos treinos:

Eu não acho que seja humildade, mas eu não questiono se estou com vontade ou não de ir treinar. Nos dias que eu tenho como compromisso ir ao treino, eu vou. A não ser, é claro, que eu tenha algum outro problema. Eu sinto uma mudança nisso desde que comecei a treinar. No início se eu tinha preguiça de ir, ou não estava com o humor adequado, me questionava se deveria ir ou não. Agora não questiono mais. Tem dias que é fácil e outros nem tanto.

Técnicas:

Penso que é o desequilíbrio que permite que a técnica seja eficiente. É preciso proporcionar essa instabilidade para permitir que o movimento seja realizado. Se o uke está completamente estável, mesmo que seja fisicamente mais fraco, será muito mais difícil movimentá-lo. No meu dia a dia sou obrigada a movimentar as pessoas frequentemente e percebo que somente quando consigo tirá-las dos pensamentos estáticos é que consigo algum progresso no desenvolvimento de novas idéias. Ou seja, eu preciso desequilibrá-las.

Respeitar o parceiro sem agredi-lo, mas ao mesmo tempo desafiá-lo. Esse é um dos grandes desafios do Aikido. Se estivermos atentos à energia do outro, aos sentimentos do outro, vamos perceber qual o momento de trancar e qual o de suavizar. Isso não é uma formula matemática, é preciso apenas sentir e fazer. Porque, às vezes, respeitar significa desafiar, trancar, enfrentar.

Desafios da graduação:

Penso que o maior desafio de um graduado é manter a mente de iniciante. Manter-se humilde para poder continuar aprendendo. Além disso, é preciso muita disciplina e persistência. Em vários momentos o caminho não será fácil, é preciso manter-se nele mesmo desanimado.

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