
Entrevista com Michel Erb, 5º Dan Aikikai, França.
Realizada por Guillaume Erard, 3º Dan Aikikai.
Fontes:
http://www.guillaumeerard.com/fr/aikido/entretiens/michel-erb.html
http://www.guillaumeerard.com/en/aikido/interviews/michel-erb.html
Guillaume Erard: Você iniciou o Aikido quando criança, o que levou à essa escolha?
Michel Erb: Desde pequeno, eu me sentia atraído pelas artes marciais. Aos 14 anos, e depois de assistir o Judô e Karate, eu fui para o Aikido. Essa disciplina me atraía mais, e me permitia treinar com os adultos, porque não havia Aikido infantil naquele clube.
Guillaume Erard: E porque você desejava treinar com os adultos, ao invés de garotos da sua idade? Você era maduro demais para aquela idade?
Michel Erb: Eu tinha visto as aulas de judô e karate infantil, e aquilo não era para mim. Na verdade, naquele momento, eu tinha uma idéia das artes marciaias, e ela deveria ser como os adultos treinavam e não como as crianças.
Guillaume Erard: Ao longo do seu aprendizado, você encontrou muitos professores em diferentes grupos. Uma conseqüência da sua condição geográfica, ou foi uma escolha pessoal?
Michel Erb: Bem cedo, eu tinha o desejo de encontrar outros professores de Aikido. Naquela época, os seminários eram longe e não muitos. Se quiséssemos conhecer um ensinamento diferente, era preciso visitar outros dojos. Então, assim que fiz a carteira de motorista, eu me esforcei para praticar em todos os lugares possíveis. Tive o privilégio de encontrar alguns professores e seguir o ensinamento deles regularmente. Claro que naquele tempo, os professores de alto nível não eram muitos e minhas visitas implicavam muitas horas viajando.
Guillaume Erard: É importante saber “deixar” um professor?
Michel Erb: As divergências de opiniões podem conduzir a rupturas e separações, como na nossa vida. Isso acontece provavelmente porque o ser humano é um ser capaz de refletir por si mesmo e preocupado em exercer seu livre arbítrio. De uma maneira geral, se existe um desacordo ou mesmo separação, isso deveria ser acontecer com respeito pelo outro e pela sua opinião, e estar acompanhado de uma introspecção pessoal.
Guillaume Erard: Você manteve coisas do seu aprendizado nesses diferentes grupos, ou você totalmente reinventou seu aikido?
Michel Erb: Eu espero realmente que tudo que vivi no Aikido nesses últimos 30 anos, permaneça inscrito em algum lugar dentro de mim para sempre, porque isso faz parte de mim e de minha construção. Eu não rejeito a experiência que eu adquiri, muito pelo contrário, ela me permite melhor definir meus objetivos futuros, sempre sabendo identificar aquilo que eu não quero fazer. Quanto a inventar ou reinventar meu aikido, eu não vejo isso assim. Eu penso que à força do trabalho, o praticante desenvolve suas qualidades técnicas e humanas e assim suas percepções e sentimentos. É assim que ele poderá, no contato com um ou vários senseis que ele escolha, se alimentar em permanência e mergulhar mais e mais nessa aventura maravilhosa que é o Aikido.
Guillaume Erard: Evidentemente, sente-se uma influència incontestável de Christian Tissier em seu Aikido. Como e por quê?
Michel Erb: Obrigada pelo elogio. Eu encontrei Christian Tissier em 1986, e desde então ele me guia na minha prática. Eu posso dizer que mesmo que ele não tenha sido meu primeiro professor, foi ele quem me construiu ,dando-me as bases indispensáveis sobre as quais eu fundamento minha prática e minha concepção da pedagogia. Seu ensinamento ressoa em mim e me nutre sem cessar. É alguém a se admirar, porque ele trabalha muito e não pára de evoluir. Estar ao lado dele é simplesmente incrível.
Guillaume Erard: O que o levou a assumir Aikido profissionalmente?
Michel Erb: Esse não é o sonho de muitas pessoas, de viver sua paixão totalmente e no cotidiano? E mais, que felicidade poder transmitir o que aprendemos e ao mesmo continuar a aprender sem parar. Enfim, que satisfação levar alegria aos praticantes. Eu penso que essa profissão me permite tudo isso. Sim, é um trabalho fantástico, apaixonante, e muito absorvente.
Guillaume Erard: Com o desenvolvimento forte do Aikido e de todas as outras artes marciais, você pensa que sempre tem lugar para novos profissionais? Qual seria teu conselho para um praticante que queira se tornar um profissional?
Michel Erb: Eu penso que sempre tem lugar para as pessoas que desejem se consagrar sinceramente ao ensinamento de nossa disciplina. Bem entendido, antes de se pretender “profissional”, isso exige tempo, muito tempo e muita paciência e também muito engajamento e abnegação. As pessoas que escolherem essa via profissional deveriam realmente ter consciência de tudo isso antes de fazer essa escolha.

Guillaume Erard: Você faz parte desse grupo de professores franceses que vão ao Japão regularmente para praticar no Hombu Dojo Aikikai. O que você aprende nos seus estágios lá?
Michel Erb: Eu aprecio enormemente o Japão e sua cultura. A cada visita ao pais do sol nascente, eu descubro novos olhares que eu tento compreender. No que concerne a prática na Aikikai, ela é extremamente enriquecedora, porque um grande número de prestigiados professores ensinam lá. Eu acredito que se pode realmente aprender com as diferenças de cada um.
Guillaume Erard: Com um tal percurso e uma prática intensiva de mais de 30 anos, o que ainda lhe encoraja a percorrer rodovias todos os finais de semana e entrar no tatame?
Michel Erb: Como eu disse antes, Aikido é apaixonante para mim. A prática e o ensinamento de nossa disciplina me coloca em questão permanentemente e mantém presente em mim aquilo que eu chamo de “espírito de iniciante”. E além do mais, um pouco de esporte não faz mal a ninguém... (risos)
Guillaume Erard: Quais as suas prioridades a ensinar, além da técnica pura?
Michel Erb: O respeito, a honestidade, o trabalho, o engajamento, o treinamento, a clareza... Eu estou convencido que as técnicas de Aikido podem igualmente nos ensinar e nos fazer apreciar esses valores.
Guillaume Erard: É importante para você ensinar mais do que apenas técnicas aos alunos?
Michel Erb: O que querem que eu ensine além das técnicas? Eu não sou um filósofo, e muito menos um guru. Eu nunca vi uma aula de Aikido no Hombu Dojo que o assunto fosse outro além da técnica de Aikido. Claro, alguém pode dizer que a mensagem do O-Sensei é uma mensagem de paz e amor universal, destinada a melhorar os seres humanos, reunindo-os em torno da prática do Aikido e provavelmente isso está certo. Na verdade, eu acho que o estudo das técnicas permite não apenas compreender isso, mas sobretudo vivê-las através da nossa prática.
Guillaume Erard: Na terminologia que você utiliza, aparece uma atitude muito racional em relação à prática e ao ensinamento. Como você se coloca em relação à práticas mais esotéricas ou mais centradas sobre o ki? É o mesmo Aikido ou existe um Aikido diferente? Eles desenvolvem coisas diferentes?
Michel Erb: Eu acho que a expressão do Aikido pode ser muito diferente, segundo aquilo que cada professor coloca ênfase, assim como qualquer outra atividade humana. De minha parte, eu acho que a construção técnica deveria estar no centro do aprendizado de nossa disciplina. Eu não entendo muito bem o que seria uma prática mais esotérica, talvez uma coisa mais exótica? Quanto à expressão do Ki, certamente alguns professores fazem disso seu trabalho, porque não. Para mim, se a técnica é bem compreendida, o ki poderá se manifestar de maneira natural através dos movimentos e essa manifestação não se avalia apenas em termos de força ou resistência, mas igualmente pela fluidez, a suavidade, a respiração, a atenção. O Aikido é uma arte marcial moderna e universal que tende a reunir os seres humanos em torno de uma prática física e fora de todo contexto religioso ou sectário. Pessoalmente, esse quadro me convém perfeitamente bem.
Guillaume Erard: Quando praticamos no Japão ou com alguém como Christian Tissier, a atenção é claramente colocada sobre a troca entre tori e uke. Apesar do Aikido existir na França há mais de 50 anos, esse trabalho parece ser relativamente mal compreendido por muito praticantes, você pode dar a sua visão sobre isso?
Michel Erb: Eu convido vivamente o maior número de praticantes a refletir sobre isso, porque ele dá uma profundidade insuspeitada à nossa disciplina. Eu penso que os dois participantes da técnica (uke e tori) tem cada um, um papel pré definido dentro do movimento, seguindo aquilo que estamos estudando naquele momento na técnica. É claro que não é fácil nem para um nem para outro de fazer o melhor no seu papel, mais isso é muito importante, porque isso exige muito trabalho e rigor, e permite a cada um compreender sobre o que devemos nos concentrar a fim de realizar seu progresso pessoal. Eu não penso que seja desejável que o movimento seja vivido como uma ação indo contra a outra, é muito mais como uma sociedade para a realização de um projeto comum ambicioso (o kihon) colocando de lado os respectivos egos. Assim a técnica se torna muito exigente, porque ela pede que um seja o parceiro do outro. O símbolo de yin e Yang representa perfeitamente essa completude de uke e tori na realização do movimento.

Guillaume Erard: Você pensa que os praticantes tem uma visão clara do que eles querem desenvolver a longo prazo através do Aikido? Aikido pode ser praticado ao longo de toda uma vida, mas se pensa realmente numa aprendizagem assim?
Michel Erb: É cada vez mais difícil,nesse nosso mundo atual, alguém se dispor a um aprendizado a longo prazo. Isso assusta e dá medo, e um engajamento assim dá vertigem a muitas pessoas, que pensam que isso lhes privará da liberdade. O Aikido é um suporte que pode permitir ao praticante melhorar dentro da sua condição de ser humano. Felizmente nossa disciplina não é a única a propor isso. Assim, eu posso conceber que se pode escolher Aikido como uma ferramenta de aperfeiçoamento de si por um certo tempo e mudar depois por razões de saúde, disponibilidade, escolhas pessoais, etc.. O importante, para mim, é permanecer numa dinâmica de trabalho sobre si mesmo, não importa qual a ferramenta utilizada.
Guillaume Erard: Alguns praticantes que não seguem a linha do Hombu Dojo, criticam violentamente esse sistema de ensino, que “formaria” o Uke. Qual o interesse desse ensino que alguns tacham de “formatação”?
Michel Erb: Eu fico surpreso de ouvir que as pessoas que praticam Aikido reajam violentamente quando observam as diferenças entre os praticantes. São justamente as diferenças que nos enriquecem. De minha parte, eu não entendo o Aikido como um simples sistema de auto defesa. Eu gosto da idéia que a realização da técnica do Aikido seja percebida como um objetivo comum para o uke e o tori. Assim, cada um dos protagonistas deve saber qual é seu papel, para que a técnica desejada possa um dia acontecer. Uke coloca as situações difíceis para o tori, e esse deve procurar resolvê-las. Parece-me fundamental que o professor possa decifrar claramente o papel de cada um dos dois participantes.
- Para o uke , a correta colocação da situação a ser resolvida pelo tori.
- Para o tori , as chaves que permitem resolver a situação colocada pelo uke.
Visto sob este ângulo, não é uma formatação, mas educação e por conseqüência, a noção de Ukemi está longe de se resumir ao simples fato de saber cair.
Guillaume Erard: Parece que neste contexto que você explica, o papel de uke é tão exigente quanto o do tori, pois o uke precisa ler a técnica do tori e adaptar seu ataque para que ela permaneça construtiva para o tori. Ouvimos seguidamente os professores exortarem o uke a “manter o contato” e “estar presente”, você pode explicar essas duas noções e nos dizer se elas são diferentes uma da outra?
Michel Erb: Tudo depende do que colocamos atrás dessas duas noções, pois eu penso que sozinhas, elas não querem dizer grande coisa. Para mim, este nível “manter o contato” e “estar presente” são importantes, mas estão longe de resumir, por si mesmas, o trabalho do uke e tori. São termos que eu não utilizo muito, mesmo se essas noções de base estão incluídas no meu ensinamento. Em todo caso, eu penso que os papéis de uke e tori são complementares na ação, cada um representa 50% do movimento.
Guillaume Erard: Christian Tissier fala frequentemente dos “códigos da prática”. Os códigos, segundo você, são necessários para progredir? Quando podemos nos permitir esquecê-los?
Michel Erb: Os códigos estruturam os praticantes. Eles aprendem a se colocar no seu lugar, e a saber reconhecer as condições necessárias para a realização do objetivo comum a ser pesquisado através do movimento praticado. Esse movimento é simplesmente o suporte comum e aceito, que permite a realização do objetivo. Isso não tem nada de chocante e não tem nada a ver com complacência, pois tudo está codificado na vida. Do código civil, ao código de transito, passando pela linguagem, o código de honra, código Morse ou simplesmente um olhar. Os códigos não são nossos inimigos, mas nossos aliados, pois eles nos permitem progredir rapidamente, na verdade, eles nos ajudam a nos construir. Eu não acho que devemos esquecê-los, pois eles são a bússola de nossa prática. Porque o motorista deveria não parar quando o sinal fica vermelho? Apenas porque ele acha que já fez isso demais?
Guillaume Erard: Efetivamente parece razoável se considerarmos os códigos sociais e quando nos colocamos no que você chama de espírito de iniciante. A liberdade da prática se encontra realmente no interior desses códigos, e não na anarquia. Portanto, se fizermos um paralelo entre Aikido e outras formas de arte, eu tenho a impressão que a liberdade e a criatividade na literatura, música e artes plásticas, por exemplo, se fazem seguidamente através da transgressão dos códigos. Podemos citar entre outros, Victor Hugo no prefácio de Cromwell “a liberdade da arte contra o despotismo dos sistemas, dos códigos e regras”. Não existe então uma dicotomia entre as noções do sistema de educação e do Aikido arte, pois um necessita do respeito às normas e o outro deveria poder se livrar delas?
Michel Erb: Eu estudei música durante alguns anos. Eu tinha até começado a compor minhas próprias músicas com a guitarra. E eu conto isso, porque eu jamais saberia como fazer isso sem o código chamado “solfejo”. Victor Hugo e qualquer outro escritor, quaisquer que sejam suas idéias, utilizarão sempre um código chamado “linguagem” ou “escrita” para compartilhar suas reflexões. É isso que eu chamo de códigos ou normas, é antes de tudo uma ferramenta de comunicação e não uma restrição à liberdade individual ou coletiva de criação.
Guillaume Erard: Até onde eu posso entender, a noção de punição não está presente na sua prática. Como você consegue efetuar tuas técnicas com pessoas que tem um código ou norma diferente da tua e que não percebem os pontos da técnica onde você está sendo complacente, confundido-as seguidamente com “aberturas”? O que faz tua técnica funcionar sem recorrer à punição nesses casos?
Michel Erb: Eu não estou aqui para punir alguém por algo. Eu vejo meu papel como um formador, um pedagogo, que tenta antes apresentar seu ensinamento através de explicações verbais e demonstrações, antes de um castigo corporal.
Muito sinceramente, eu quero dizer, correndo o risco de chocar pessoas, que eu não acredito que uma técnica qualquer de Aikido possa funcionar com alguém que não quer recebê-la e a punição eventual seria apenas, a meu ver, a confissão de um fracasso para aquele que a está executando. Dentro da relação Aiki é antes desenvolver uma linguagem comum que permita resolver a situação, do que apenas punir, seguidamente por causa de nossa própria incompetência, aquele que na verdade é nosso parceiro. O sistema de “punição” não é o meu. Para mim a técnica de Aikido ideal é aquela que se efetua sem punição ou dor e que permite ao mesmo tempo de fortalecer seu corpo e espírito privilegiando o trabalho de movimento, precisão, tempo, atenção, etc... por que Aikido deve construir e não destruir.
Para mim, Aikido é mais um sistema de desenvolvimento pessoal do que defesa pessoal. A prova disso, é que nunca vimos um aikidoka combater no MMA. A questão da eficácia nem cabe aqui, porque se o aikidoka deve vencer, é antes vencer a si mesmo.
Guillaume Erard: Sobre a sua pesquisa pessoal, sobre o que você está trabalhando nesse momento?
Michel Erb: Estou pesquisando os ângulos, a combinação de horizontal e vertical dentro do movimento, e claro, sobre a complementariedade de uke e tori na ação, muita coisa para estudar.
Guillaume Erard: Existem alguns pontos técnicos onde você diz: “Christian Tissier faz assim, mas eu prefiro fazer diferente, este Aikido é 100% pertinente a você, seu físico e mental?
Michel Erb: É certo que antes de querer fazer “diferente” do que Christian Tissier é preciso ser capaz de reproduzir corretamente o que ele mostra, o que está longe de ser meu caso. E fica entendido que isso não exclui uma reflexão e uma pesquisa pessoal através da experimentação, mas isso não tem nada a ver com colocar duvidas quanto ao ensinamento do meu professor.
Guillaume Erard: Christian Tissier sendo um pesquisador incansável, pode-se ver claramente uma evolução da sua técnica durante os anos. Vê-se também claramente que alguns alunos, em função de suas gerações, decidem seja de seguir essa evolução, seja de fixar sua prática nas formas anteriores. Qual é sua posição pessoal? Você se esforça de sempre evoluir com ele e na mesma direção? Como isso se transmite no seu ensinamento? Existe um estagio de maturação entre o que você aprende com ele e o que você ensina?
Michel Erb: Eu me nutro o mais possível do ensinamento atual dele e sem rejeitar o seu ensinamento passado. Minha natureza profunda me pede sempre para seguir em frente, a questionar e aperfeiçoar, é também o espírito de iniciante. O passado me serve para compreender o presente e o presente a entrever o futuro, então eu não posso me fixar sobre minha prática. Claro que eu levo tempo para integrar todas as evoluções e depois de um tempo de digestão, eu tento por minha vez, transmitir a minha compreensão das coisas. O ensinamento de Tissier não forma clones, no que me diz respeito, ele me permite de encontrar, confortavelmente, o espaço necessário à expressão do meu ensinamento.
Guillaume Erard: É fácil desenvolver seu Aikido quando se é tão proximo ao seu professor, como você é?
Michel Erb: Eu nunca pensei em desenvolver “meu Aikido”. Meu objetivo é simplesmente praticar e me enriquecer da experiência dos outros sempre também propondo a minha. Minha proximidade com meu Sensei absolutamente não me limita, é muito antes uma grande ajuda.
Guillaume Erard: A que ponto esta pesquisa pessoal chega? Você ainda tem a aprender no plano técnico? Além do 4º dan, não existe mais avaliação técnica, isso quer dizer que não precisamos mais trabalhar isso? No que trabalhamos?
Michel Erb: Eu penso que podemos estudar essa arte toda nossa vida. Provavelmente uma vida não é suficiente. Isso não tem a ver com graduação, mas sim com a concepção das coisas. Isso quer dizer permanecer humilde, iniciante, curioso, aberto e alegre. O Aikido é maravilhoso nisso, pois ele nos coloca a disposição técnicas físicas (como ferramentas) que nos permitem polir nossa pedra bruta em permanência, não importa a graduação.
Guillaume Erard: A que momento um aikidoka deve ou pode desenvolver um aikido pessoal?
Michel Erb: Cada praticante tem uma percepção e uma sensação única. Isso vem de sua vida, de suas experiências, suas angústias. Assim, e mesmo com bases comuns, o Aikido de cada um é pessoal. Alguém disse que existem tantos aikidos como existem aikidokas.
Guillaume Erard: Quando o vemos praticar, a primeira coisa que chama a atenção é a sua postura impecável. Você ativamente desenvolveu isso, ou é natural? Qual é o beneficio disso sobre sua prática?
Michel Erb: Obrigada pelo cumprimento (risos). Eu tento simplesmente ter a melhor sensação possível durante minha prática A postura é fundamental para a expressão dos movimentos e eu tenho necessidade de me sentir à vontade. Nesse caso, é certo que, consciente e inconscientemente, eu estou num trabalho perpétuo de correção das minhas posturas.
Guillaume Erard: Como trabalhar sua postura e não se tornar estático e duro?
Michel Erb: É o tema da minha pesquisa sobre a combinação de vertical e horizontal dentro do movimento. Penso nisso a bastante tempo, e eu tento encontrar o melhor ponto entre suavidade, disponibilidade, ancoragem, e a gestão do espaço sobre o plano vertical e horizontal.
Guillaume Erard: Muito obrigada, Michel, por ter respondido minhas questões. Boa sorte no caminho do Aikido e até breve sobre o tatame.
Michel Erb: Eu agradeço todas essas questões, que me fizeram refletir muito sobre nossa disciplina.
Uke: aquele que recebe a técnica de Aikido
Tori (nage) : aquele que aplica a técnica.
Kihon – técnicas básicas