quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Em 2012




















































Não sei muito sobre as borboletas, apenas sei que uma borboleta põe cerca de 500 ovos e em seguida morre.
Do ovo da borboleta, nasce uma lagarta. Que por um processo impressionante se transforma em borboleta. E que elas têm uma vida breve, em torno de 7 dias.

Fechei a janela ao anoitecer, e essa borboleta pousou na minha mão.
Parecia cansada, e ficou na minha mão, passeando, por mais de meia hora. Proporcionalmente ao tempo de vida das borboletas, ela passou uma eternidade comigo. Para meu tempo humano, foram alguns minutos. Para o tempo maior, o que rege tudo, foi um lapso de tempo absolutamente insignificante.

Enquanto ela esteve comigo, fiquei ali, olhando para esse pequeno milagre de asas amarelas com pintas pretas e grandes olhos, sentindo o movimento leve na minha mão, quase um sopro. Fez-se um silêncio, no mundo e em mim.

Bateu forte o pensamento que nós, os humanos, como indivíduos somos admiráveis, capazes de atos nobres. Como espécie, somos desprezíveis, ocupamos todos os espaços, matamos, exploramos e exaurimos todas as fontes de energia.

Quando a borboleta recuperou as forças, alçou vôo para cumprir seu destino de borboleta.

Eu, sendo humana, nasci sem asas. Caminho, os pés no chão, para cumprir meu destino de humana.

Em 2012, o ano bem aventurado do dragão, desejo que nós, os humanos, que nascemos sem asas, mas com uma mente que pode fazer escolhas, possamos levar uma vida digna, matando o mínimo possível, escolhendo a vida e protegendo toda a criação. Pela nossa capacidade de fazer escolhas.

Bete Romanzini